Só vim aqui correndo para colocar um pedaço que eu acabei de ler, e veio como voadora no peito...
J.I. Packer - O Conhecimento de Deus
"Conhecimento Retórico X Conhecimento Real
É necessário fazer uma auto-análise sincera neste ponto. Somos, talvez, evangélicos ortodoxos. Podemos explicar o evangelho com clareza e podemos sentir o cheiro de doutrina falsa a quilômetros de distância. Se alguém nos perguntar como os homens podem conhecer a Deus, de imediato apresentamos a fórmula certa: que chegamos a conhecer a Deus mediante Jesus Cristo, o Senhor, graças à cruz e a sua mediação, confiados nas promessas de sua palavra, pelo poder do Espírito Santo, por meio do exercício pessoal da fé.
Entretanto, a alegria, a bondade, a liberdade de espírito, que constituem as marcas de quem conhece a Deus, são raras em nosso meio- mais raras talvez do que em outros meios cristãos, onde, se fizermos uma comparação, a verdade do evangelho não é conhecida com tanta clareza e tão completamente. Aqui também pareceria que os últimos poderiam ser os primeiros, e os primeiros, os últimos. Um pequeno conhecimento de Deus vale bem mais que um grande conhecimento a respeito dEle... Para salientar melhor este ponto, quero dizer duas coisas:
- Pode-se saber muito sobre Deus, sem o conhecê-lo muito. Tenho a certeza de que muitos de nós nunca pensamos realmente sobre isso. Descobrimos em nós um profundo interesse pela teologia (que é, por sinal, um assunto dos mais facinantes e intrigantes). Lemos livros de exposição teológica e apologética; aprofundamo-nos na história cristã e estudamos o credo cristão; aprendemos a descobrir nosso próprio caminho nas Escrituras. Outros apreciam nosso interesse por essas cosias e somos convidados a das nossa opinião em público a respeito de diversas questões cristãs, a dirigir grupos de estudo, escrever artigos, fazer conferências e geralmente aceitar a responsabilidade, formal ou informal, de agir como mestres e árbitros da ortodoxia em nosso círculo cristão. Nossos amigos nos dizem como apreciam essa contribuição e isso nos leva a explorar mais ainda as verdade de Deus de modo a podermos atender às exigências que nos fazem. Tudo isso é muito bom. Entretanto, o interesse em teologia- conhecimento sobre Deus- e a capacidade de pensar com clareza e falar bem sobre temas cristãos não são o mesmo que conhecer a Deus. Podemos saber tanto quanto Calvino a respeito de Deus- na verdade, se estudarmos suas obras com diligência, cedo ou tarde isso vai acontecer-, contudo duranto todo o tempo (ao contrário de Calvino) saberemos bem pouco a respeito de Deus.
- Pode-se saber bastante sobre piedade sem ter muito conhecimento de Deus. Isso depende dos sermões ouvidos, dos livros lidos e do círculo de amigos. Nesta área analítica e tecnológica não faltam livros nas bibliotecas das igrejas, nem sermões nos púlpitos sobre como orar, testemunhar, ler a Bíblia, dar o dízimo, ser um jovem cristão, ser um velho cristão, ser um cristão feliz, tornar-se consagrado, levar pessoas a Cristo, receber o batismo do Espírito Santo (ou, em alguns casos, como evitar esse batismo), falar em línguas (ou como explicar satisatoriamente a manifestação do Pentecostes) e geralmente como cumprir todo o programa que os professores em questão associam com a vida do crente. Tampouco faltam biografias narrando experiências de cristãos do passado para nosso exame atento e interessado. Independentemente do que se diga sobre a questão, é certamente possível aprender muito, de segunda mão, sobre a prática cristã. Além disso, se alguém tiver uma boa dose de senso comum pode fazer uso do que aprendeu para ajudar cristãos vacilantes, de temperamento menos estável a readquirir firmeza e desenvolver o senso analítico quanto a suas dificuldades, ganhando para si mesmo, deste modo a reputação de bom pastor. Entretanto, alguém pode ter tudo isso e não conhecer realmente a Deus. Voltamos, então, ao ponto em que começamos. Não está em jogo a a questão de sermos bons em teologia ou "equilibrados" (palavra horrível e pretensiosa), em nossa abordagem dos problemas da vida cristã. O caso é este: podemos dizer com simplicidade e franqueza, não porque sentimos ser nosso dever como evangélicos, mas por tratar-se de um fato real, que conhecemos a Deus, e que por esse conhecimento os desprazeres que tivemos ou os prazeres que não tivemos, pelo fato de sermos cristãos, não nos afetam? Se conhecêssemos realmente a Deus, seria isto o que estaríamos dizendo e se não o fazemos significa que precisamos encarar com mais precisão a diferença entre conhecer a Deus e o mero conhecimento sobre ele.
olá! vc tem facebook?
ResponderExcluirOlá, Eliane!!
ExcluirTenho sim, nome: Natalia Oliveira
email: naty.alves.oli@gmail.com :)
Obrigada pela visita!